BIOGRAFIA
Amelia Earhart (1897-1937) foi uma das figuras mais inspiradoras da aviação mundial e um símbolo da emancipação feminina. Nascida nos Estados Unidos, desde cedo mostrou espírito aventureiro, contrariando os padrões sociais que limitavam o papel das mulheres no início do século XX. Fascinada pela aviação, conquistou, em 1932, o feito de ser a primeira mulher a atravessar o Oceano Atlântico sozinha de avião, estabelecendo um recorde que a tornou famosa a nível internacional. Ao longo da sua carreira, quebrou vários recordes de velocidade e altitude, defendeu a igualdade de género e incentivou a participação das mulheres em profissões tradicionalmente masculinas. Tornou-se também autora e conferencista, partilhando as suas experiências e incentivando outras a perseguirem os seus sonhos. Em 1937, durante uma tentativa de voo à volta do mundo, desapareceu misteriosamente sobre o Pacífico, alimentando teorias e lendas até hoje. A sua vida e desaparecimento permanecem como um dos grandes mistérios da história da aviação, mas o seu legado de coragem, determinação e pioneirismo continua a inspirar pessoas em todo o mundo.
COM LICENÇA POÉTICA, IN BAGAGEM
ADÉLIA PRADO
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.